CARNAVAL – 2010

TEMA: BARREIRO – Sua História, Sua Riqueza e Suas Belezas!

Sinopse

        Em seu ano de estréia no Carnaval de Belo Horizonte o

        GRÊMIO CULTURAL ESTRELA DO VALE, vem resgatar a

        memória e reafirmar o

        compromisso com a nossa história.

        Vamos viajar no espaço dos séculos para exaltar uma

        região de bela história,

        de riqueza e beleza, onde suas terras férteis e seus fartos

        mananciais despertaram o

        interesse dos construtores da nova capital.

        E assim, o samba que nos traz além do seu batuque,

        a magia da nossa imaginação que nos banha de cultura e história.

Segmentação do Enredo

 

      A Fazenda Barreiro

Nos meados do século XVIII existia uma fazenda, cujo nome era Fazenda Barreiro de propriedade do colonizador Coronel da Costa Pacheco pioneiro nessas terras, sendo que posteriormente estas terras foram vendidas para o Major Candido José dos Santos Brochado.

O livro “Barreiro 130 Anos de Historia”, de Antonio Augusto de Souza, revela que estas terras foram vendidas pelo Coronel Damaso Pacheco, à família do Major José dos Santos Brochado, que era descendente de portugueses.

Era ainda Brasil – Império, e a escravidão continuavam a predominar. A terra fértil se estendia por todo o vale, englobando o Barreiro de Cima e o Barreiro de Baixo. Os dias de glória e fartura, na segunda metade do século XVIII, eram marcados pela grande produtividade da fazenda e pelo poder de influencia do major, líder do partido conservador.

Poderoso senhor de escravos, Candido Brochado teve fim trágico. Segundo relados do historiador Abílio Barreto, que após vender o escravo Matias de mais de 60 anos e que pelas leis vigentes naquela época deveria ser libertado, foi jurado de morte pelo escravo. Matias fugiu e sendo ajudado pelas escravas que o mantinham escondido nas matas próximas a fazenda, alimentando-o e informando-o sobre os passos do senhor.

Quando o escravo Matias soube da viagem do Major a localidade de Freitas (hoje Pampulha), ficou de tocaia e consumou sua vingança, matando o Major a golpes de machadinha.

Desgostosa, a família vendeu o casarão e os terrenos do Barreiro de Cima, transferindo-se para o local próximo ao Morro do Pião, onde hoje fica a Mannesmann. O restante das terras foi vendido para outro colonizador português Manoel Pereira de Melo Vianna.

Um dos filhos do Major, Sinfrônio Jose dos Santos Brochado, deixou o Colégio Caraça, onde estudava e voltou para a fazenda a fim de gerir os negócios do pai. Construída a fazenda do Peão, Sinfrônio Brochado casou-se e teve 15 filhos. A fazenda era bem cuidada e administrada, chegando a fornecer leite ao Curral Del Rei. Sinfrônio Brochado prosperou, diversificando suas plantações de café, arroz, feijão, milho e outras culturas. Era considerado um homem honesto caridoso e querido pelos escravos. Por sua influência política e social, Sinfrônio Brochado foi convidado a participar da Tribuna de Honra, durante a solenidade de instalação da Capital mineira.

     Aarão Reis e a Nova Capital

Afonso Pena, então Presidente eleito do Estado de Minas Gerais designou em 9 de dezembro de 1892, o engenheiro paraense Aarão Reis para chefiar a comissão encarregada de fazer os levantamentos para escolher as terras onde seria construída a nova capital do Estado. Aarão Reis fez visitas às três localidades previamente escolhidas, Barbacena, Juiz de Fora, Parauna, Várzea do Marçal e Belo Horizonte, sendo escolhida Belo Horizonte, por ter acesso a todas as regiões e muita fartura em recursos hídricos. Por iniciativa do engenheiro Aarão Reis, o Estado comprou as terras do Sr. Manoel Pereira de Melo Vianna, visando o aproveitamento das águas do córrego Capão das Posses, que viria a garantir o abastecimento da recém fundada Capital. A topografia favorável, abundância de água e a fertilidade das terras foram os motivos que levaram a instalação da Colônia Vargem Grande, em 1896, já longe da escravidão e em tempos de república.

      Os Imigrantes

Nesta época a fazenda foi dividida em grandes terrenos de 250 mil e 300 mil metros quadrados, que deveriam ser pagos pelos colonos que vinham de diversos países da Europa como Itália, Portugal, Alemanha, França, Áustria, Suécia e Espanha dentre outros. Os colonos, que não conseguiam pagar o terreno em cinco anos perderiam o direito a terra, que passaria para outro colono.

A colônia Vargem Grande fornecia hortifrutigranjeiros aos moradores da capital. João Pinheiro que nesta época era o Presidente do Estado de Minas Gerais  costumava visitar a colônia com freqüência, atendendo as reivindicações dos colonos e facilitando a compra de equipamentos e insumos agrícolas. Varias famílias de estrangeiros fizeram história no barreiro de cima entre elas destacam-se os Pongeluppe e os Gatti. Este último comprou parte da Fazenda Pião em 1928. Como primeiro passo, o italiano construiu a Igreja Nossa Senhora do Rosário e na parte mais alta, divisa do Barreiro de Baixo com o Barreiro de Cima, fez erguer um cruzeiro. Loteando suas terras em vários quarteirões de 22 lotes cada abrindo ruas. Gatti criou a Vila Rica, com casas de campo destinadas a expandir, desenvolver e fazer o lugar conhecido. Com o progresso levado pelos Gatti, a região foi provida de energia elétrica. Domingos Gatti explorou uma pedreira existente nos seus terrenos e montou uma olaria e Cerâmica. Pedras, tijolos e telhas francesas, produzidas pelos Gatti, foram utilizados para a construção de casas e empresas que começavam a se instalar no Barreiro e até na Capital. O primeiro telefone do Barreiro de uso público foi instalado na residência de Domingos Gatti.

       FAUNA E FLORA

No Parque das Águas na região do Barreiro de cima podemos encontrar, Pica-paus, sabiás, gaviões, sanhaços, garrinchas, corujas, gambás, micos-estrela, teiús, etc. A existência de uma lagoa torna o ambiente propício para o refúgio e alimentação de animais, e a proximidade da área de preservação de Manancial da COPASA propiciavam a presença destes diversos representantes da fauna.

Há uma mata, significativa do ponto de referência da região, com algumas espécies nativas representativas da mata ciliar, como canelas, copaíbas, jacarandá, ingás, jatobás, dentre outras.

O Parque das Águas é um exemplo de área de conservação ambiental de Belo Horizonte onde o tema “plantas medicinais” é intensamente trabalhado. O Parque conta com uma mata de vegetação típica de transição entre o cerrado e a Mata Atlântica, onde são encontradas espécies nativas do Brasil e de uso consagrado na nossa medicina tradicional como o barbatimão, capeba, carqueja e o guaco, entre outras.

O Parque das Águas conta também com uma horta de plantas medicinais, onde mais de 100 espécies são cultivadas para distribuição à comunidade.  

Em julho de 2003, o Parque das Águas promoveu o “Encontro com as Raizeiras”, evento em que os membros da comunidade trocaram experiências na preparação dos remédios com plantas medicinais. Em novembro, durante o "Fórum Social Brasileiro", foi lançado o projeto "Circuito das Plantas Medicinais e Aromáticas de Belo Horizonte", do qual o Parque da Águas é um dos integrantes. Nesse projeto, áreas verdes da cidade, mantidas tanto pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) quanto pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estão integradas em um projeto conjunto, visando valorizar as plantas medicinais.

Além das riquezas naturais a região também preserva a cultura religiosa deixadas pelos escravos como o Congado.

      Guarda de Congado

De origem africana, das áreas do Congo, Moçambique e Angola, o congado chegou ao Brasil com os escravos e passou a ser também uma manifestação católica. Algumas pessoas acreditam que a história do congado em Minas Gerais começou com a vinda de Chico Rei, que era rei na África, e veio pra cá, na metade do século XVIII. Em 1747, ele teria organizado a primeira festa dos negros em Minas, como forma de agradecer a Nossa Senhora do Rosário a benfeitoria de ter enriquecido depois de explorar uma mina abandonada.

Segundo dados do CEDEFS – Centro de documentação Eloy Ferreira, surgiram várias irmandades e guardas de congado em todo estado.

Nas vilas e favelas de Belo Horizonte, há diversas guardas e irmandades, que prosseguem com esta tradição que já perdura por vários séculos, entre elas a Congregação Nossa Senhora do Rosário do Barreiro de Cima, no Jatobá I, e a Guarda de Congado Nossa Senhora do Rosário Aparecida, da Cabana Pai Tomás.

O congado é formado por uma corte, composta de rainha e rei-mor, rainha conga, rei congo, princesa, príncipe e capitão. Também participam das congregações os guardiões, que é a guarda que toma conta da corte, e os caixeiros, que são aqueles que batem caixa, ou mais popularmente falando, tocam tambor. A rainha e o rei congos são eleitos a cada ano, enquanto os reis-mor são perpétuos. A princesa representa a princesa Isabel. A devoção a Nossa Senhora do Rosário é uma tradição desde os tempos da escravidão, pois aparece como a protetora dos negros. Cada grupo conta com uma bandeira guia, que é uma haste com o desenho de Nossa Senhora do Rosário. Para os congadeiros, essa bandeira é o símbolo que representa a fé que eles têm na santa dos escravos.
A Guarde Nossa Senhora do Rosário Aparecida, foi criada em 1978 quando a Cabana era um lugar sem nenhuma infra-estrutura e não contava com manifestações culturais deste tipo. A idéia partiu de José Francisco Cândido e de sua esposa Carmem Cândido que era rainha conga em uma congregação de Divinópolis.

Já a Congregação Nossa Senhora do Rosário completou 29 anos no mês passado. O congado já era uma tradição na família do senhor Antônio do Carmo Ribeiro (60), que fazia parte de uma guarda na cidade de Aranha. Ao mudar-se para o Jatobá, resolveu fundar este novo grupo. Atualmente a maioria dos componentes pertence a uma mesma família.

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário é o grupo de congado mais antigo da cidade e foi tombado como Patrimônio Histórico Imaterial. Sem dúvida, uma importante expressão da cultura popular, remanescente da religião africana.

       O Esporte.

O esporte fez história no Barreiro, sendo o futebol carro chefe dessa época de glória com o destaque para os times: União do Rabo, Ferrocarril, Santa Cruz, Marianinhos, Independente, Estrela do Vale, Unidos da Vila, Palmeiras e outros, o Barreiro Futebol Clube e o Comercial E.C. foram, sem sombra de dúvida, os que mais se destacaram pela organização e pelo prestígio que adquiriram no esporte mineiro. Depois vieram outros clubes como o Vila Marina e o Clube Colina.

Muitos são os craques que saíram do Barreiro para grandes times profissionais. Moradores da região lembram dos saudosos craques, muitos deles famosos, como: Capelani, Ney, Zé Francisco, Noventa, Sonica, Palhinha, Valente, Ângelo, Saúva, Alexandre, Totó, Leir, Canhoto, Nilsinho, Tonho, Flister, Mudeco, Piazza, Ferreira, Aguilar, Pernambuco, Roberto Mauro, China, Zé Horta.

Nos ano de 1934 foi fundado por funcionários e proprietários da cerâmica Gatti o Barreiro Futebol Clube, que colecionou várias vitórias e espalhando a fama dos barreirenses por todo estado.

Já no ano de 1953 veio a fundação do Comercial Esporte Clube fundado por funcionários e proprietários da "Casa Seleta" de propriedade do saudoso Sebastião Guilherme de Oliveira e da "Casa Primavera" dos irmãos Celso. Cândido Pedro e José Ricardo. Contando com um dos maiores times amadores de Belo Horizonte, o Comercial disputou nos anos 60, o campeonato juvenil. Tanto o Comercial Esporte Clube como o Barreiro Futebol Clube, lotavam os campos de futebol, exibindo a categoria de craques que faziam a alegria dos campos.

Por tudo isso a história da nossa capital passa primeiro pelo Barreiro, pois ele é mais antigo que a nossa Belo Horizonte.

        A MODERNIZAÇÃO

Aconteceu basicamente com a instalação do grupo Mannesmann AG, sediado na Alemanha, na cidade de DÜSSELDORF, é um dos maiores conglomerados industriais do mundo.

Sua fundação remonta ao ano de 1890, época em que os irmãos alemães Max e Reinhard Mannesmann iniciaram, numa iniciativa pioneira, a fabricação de tubos de aço sem costura, através da laminação de um bloco maciço.

Sua estrutura operacional abrange as seguintes áreas: engineering, automotive, telecommunications e tubes & trading.

Sua atuação no país remonta aos idos anos da década de 50, época em que foi iniciado o processo de exploração de petróleo na América Latina.

Foi a primeira grande empresa a investir significativamente no Brasil, após a 2ª Guerra Mundial.

Neste contexto, onde se inseria a formação da emergente indústria petrolífera nacional, a Mannesmann, após entendimentos com o governo brasileiro e entidades financeiras, fundou em fevereiro de 1952, a Companhia Siderúrgica Mannesmann.

Tendo em vista os campos de atuação da empresa, a nova unidade industrial viria a dedicar-se a fabricação de tubos e produtos derivados - "tubes & trading".

Belo Horizonte foi a localidade escolhida para o desenvolvimento do empreendimento por sua proximidade das grandes jazidas de minério de ferro, posição estratégica junto ao principais mercados consumidores de tubos e aços e disponibilidade de recursos energéticos.

Em 31 de maio de 1952, foi lançada a pedra fundamental da Usina Siderúrgica no Bairro Barreiro, em terreno de aproximadamente três milhões de metros quadrados.

Dois anos mais tarde, em 12 agosto de 1954, foram inauguradas as instalações industriais da Companhia Siderúrgica Mannesmann, onde estiveram presentes o Governador do Estado de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek e o Presidente da República, Getúlio Vargas. Naquela ocasião, foi produzido o primeiro tubo Mannesmann sem costura na prensa de extrusão, no Brasil.

A região, que inicialmente era ocupada por pequenos núcleos habitacionais, transformou-se em um grande centro a partir da implantação da nova Usina.

O minério de ferro é o insumo básico de seu processo produtivo. A sua linha de produtos compõe-se de: aços lingotados, aços especiais laminados e trefilados; tubos de aço com e sem costura, tubos comerciais, tubos petrolíferos, tubos trefilados de precisão e tubos para caldeiras.

Em 15 de dezembro de 1977, a razão social da empresa foi alterada para Mannesmann S. A.

Em sua trajetória de quarenta e cinco anos de atividades no Brasil, a Mannesmann S. A. tem atuado nos segmentos de reflorestamento, mineração, siderurgia e comércio, contribuindo para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais e do país.

Possui uma das mais modernas instalações do mundo para produção de tubos sem costura até 7 polegadas - a Laminação Contínua RK. Por seu elevado padrão de qualidade, foi contemplada com a certificação da ISO 9002, API e Shell.

 

       Comissão de Carnaval

   Alexandre Magno

   Eduardo R. Bavose

   Madalena F. Bavose

 
 
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